O que é o Couchsurfing?

É uma rede global de hospitalidade com mais de um milhão de membros ativos. A ideia é a troca de experiências e culturas entre viajantes e anfitriões.

Na prática, quando você está viajando, dorme no sofá ou em um quarto sobrando na casa de um morador local, sem pagar por isso. Em contrapartida, ele tem a oportunidade de conhecer você e um pouco mais sobre os costumes e cultura do seu país ou cidade natal.

Assim como se hospedar quando estiver na estrada, você também pode receber viajantes na sua casa, e fazer por eles o que gostaria que fizessem com você.

2020: o Couchsurfing é pago?

A pandemia da Covid-19 causou um terremoto no setor turístico. E o Couchsurfing sentiu esses abalos. Para manter a plataforma no ar e funcionando de maneira segura, a partir de 14 de maio de 2020 começou a se cobrar R$ 6,19 por mês, ou R$ 35,99 por ano. Foi a maneira encontrada para manter o Couchsurfing vivo.

Esse ainda é um valor baixo. Considerando o valor que se gasta com hostels viajando, em apenas um dia de Couchsurfing você já recupera o investimento feito na plataforma para um ano.

Mesmo assim, sabemos que esse valor pode afetar a comunidade, principalmente os países mais pobres em que o valor representa bastante comida na mesa. Por isso, esses países poderão continuar acessando a plataforma gratuitamente. Isso garante que essas pessoas possam se aventurar pelo mundo e continuem recebendo hóspedes em suas casas.

Esse novo modelo pago gerou, também, benefícios para os usuários. Primeiramente, não há mais limite de mensagens e solicitações de hospedagem. Assim, você pode usar o aplicativo à vontade em sua viagem. Além disso, toda publicidade externa foi retirada do site, melhorando a experiência do usuário.

Como funciona a plataforma?

Vamos à prática. Você faz seu cadastro e começa a navegar pelo site. No campo de buscar, você coloca a cidade que vai viajar e aparecem as pessoas que moram lá e podem te receber. Então você analisa cada perfil e solicita hospedagem para os que achar mais conveniente.

No perfil de cada pessoa há foto, informações sobre línguas faladas, países que já conheceu e dados como idade e profissão. Também há um espaço para cada um se descrever e falar um pouco sobre si.

E, o que considero mais importante, as referências. Quando você é hóspede ou anfitrião, ao final da estadia avalia como foi a experiência com a outra pessoa. Essa informação fica salva no perfil e é um dos fatores que ajudam a decidir se devo ou não me hospedar com determinada pessoa.

Com perfis avaliados e datas decididas, eu faço a solicitação de hospedagem e aguardo retorno dos anfitriões.

Além da troca de hospedagem, o aplicativo também pode ser usado para encontrar viajantes que estejam no mesmo lugar, ou para descobrir eventos turísticos que estejam acontecendo na cidade. Essa característica ajuda, principalmente, quem viaja sozinho.

Couchsurfing é seguro?

Eu já entendi que é uma forma barata e cultural de viajar. Mas vou ficar na casa de um desconhecido. Isso é seguro? Quando falamos em Couchsurfing, esse é um dos principais receios dos viajantes.

Eu sou mulher, jovem, e viajo sozinha. Já tive 16 experiências com o aplicativo e nunca tive problemas de segurança.

Para dar uma visão mais ampla, recebi um italiano em minha casa que viaja há anos e já tem 201 experiências na plataforma. Ele me contou que uma vez tentaram roubar a carteira dele na Índia, mas que foi a única experiência ruim que ele teve com o site. Neste caso, o anfitrião dele foi até excluído da plataforma após o relato do ocorrido.

Isso mostra que situações adversas podem acontecer. Mas estou segura em afirmar que esses casos são exceções que podem ocorrer até em hotéis e não representam a plataforma. Mesmo assim, você deve ter certos cuidados para garantir que sua experiência será a melhor possível.

  1. Leia todas as referências do anfitrião. Se 20 pessoas estão dizendo que tiveram uma experiência boa com a pessoa, provavelmente você também terá.
  2. Priorize anfitriões verificados. Isso significa que a pessoa provou que ela realmente é quem diz ser no site.
  3. Quando o anfitrião aceitar a estadia, peça o endereço dele e coloque no Maps para verificar onde ele more.
  4. Procure conversar com o anfitrião nos dias anteriores à hospedagem. Assim, você observa o jeito dele e, se algo te incomodar, cancela a estadia com antecedência.
  5. Tenha um plano B. Eu sempre mapeava os hostels próximos dos meus anfitriões caso eu tivesse algum problema com a estadia.

Qual a minha experiência com a plataforma?

Como anfitriã

Já recebi em minha casa russos, alemães, argentinos, uruguaios, italianos e espanhóis. Viajantes solos e casais, a maioria entre 25 e 35 anos, homens e mulheres. Eu adoro receber viajantes pois sinto gratidão pela plataforma e uma necessidade de retribuir tudo o que já fizeram por mim na estrada.

Além disso, para mim, é sempre um prazer mostrar minha cidade e as belezas naturais do país, além de poder compartilhar os costumes e a boa hospitalidade brasileira. Em contrapartida, conheço pessoas de todos os lugares, escuto suas aventuras pelo mundo, e ainda treino outras línguas.

Como hóspede

Já me hospedando, fiz Couchsurfing em cidades da França, Hungria, Portugal, Polônia e Escócia. Tive experiências incríveis como em Bordeaux, em que o casal que me hospedou me levou em lugares que apenas os locais frequentavam, incluindo maravilhosas vinícolas francesas.

Já em Carcassone, na Sul da França, fiquei na casa de um sírio refugiado. Ele é um jornalista que denuncia a situação de seu país, e, por isso, teve sua casa explodida e perdeu toda sua família. Hoje mora na França. Histórias como essa me tornam mais empática, mais culta, e uma pessoa melhor. Esse sírio ainda fez questão de cozinhar um jantar para mim e me surpreendeu com sua hospitalidade.

Experiências no Couchsurfing em Carcassone
Jantar feito pelo sírio, em Carcassone

Na cidade de Guimarães, em Portugal, me hospedei com um português que já conhece mais de 100 países e vive viajando. Nos demos tão bem que ele já veio ao Brasil ficar em minha casa e conhecer minha família. Até hoje estamos sempre nos falando e enviando fotos de nossas aventuras pelo mundo.

Em Varsóvia fiquei com uma hóspede que me ajudou a entender o impacto da Segunda Guerra Mundial até hoje nas relações polonesas. Em Budapeste dormi na casa de um húngaro que me mostrou os melhores bares da cidade. Já em Peniche pude estar com um homem que adaptou o seu carro e hoje viaja o mundo dentro dele.

Essas são algumas histórias dentre as muitas que o Couchsurfing já me proporcionou. Eu sou uma defensora da plataforma e a recomendo a todos que querem ter uma experiência mais imersiva em suas viagens.

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